Trio
Eles
dois caminhavam na minha frente, iam rindo um do outro como sempre faziam.
Fiquei para trás de propósito, pois eu adorava vê-los assim e imaginar como
seria se pudéssemos parar o tempo e reorganizá-lo para que nunca nos
perdêssemos um do outro. E andávamos assim, ele, meu amigo, com seus óculos e a
quase barba comentava com ênfase uma história engraçada sobre alguma comida,
ela, minha amiga, ia com seus cachinhos esvoaçantes e uma reação de grandioso
espanto seguida de uma risada característica. Eu não queria que aquele caminho
acabasse. Eu não queria que o riso desaparecesse e me coloquei no meio deles e
de alguma forma calma, mais para mim do que para eles, perguntei: “E o nosso
futuro?”.
Eu
não sei que tipo de resposta esperava, parecia que desceria dos céus alguma
solução, pois ficamos em silêncio, talvez imaginando os planos confusos e a
maturidade tão iminente. “O futuro só Deus sabe, baby”, escutei de um deles. Porém no fundo nós sabíamos ou tentamos adivinhar os nossos empregos, nossas
quedas, nossos acertos e nossas histórias. Porém, como que por instinto
desviamos de assunto, afinal só queríamos aproveitar a companhia um do outro e
a alegria de estar perto das melhores pessoas que encontramos: nós mesmos.

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